Por Maria Eugênia Couri, Valéria Amaral, Sheila Fagundes, Sandra Assumpção, Bia Borges,  Clarinha Henriques, Raquel Dantas e Claúdia Ferraz…

Fomos convidadas para uma almoço surpreendente, inusitado, além das nossas expectativas.

Sabemos que a Dilú, com suas mãos talentosas faz coisas maravilhosas, mas participar desta FESTA DE BABETTE, num almoço com menu degustação composto de 15 pratos, é de tirar o fôlego.

Para quem não sabe , Babettes gæstebud (br / pt: A Festa de Babette) é um filme dinamarquês de 1987, do gênero drama, dirigido por Gabriel Axel, e com roteiro baseado em conto de Karen Blixen

“Quem pensa que a comida só faz matar a fome está redondamente enganado. Comer é muito perigoso. Porque quem cozinha é parente próximo das bruxas e dos magos. Cozinhar é feitiçaria, alquimia. E comer é ser enfeitiçado. Sabia disso Babette, artista que conhecia os segredos de produzir alegria pela comida. Ela sabia que, depois de comer, as pessoas não permanecem as mesmas. Coisas mágicas acontecem. E desconfiavam disso os endurecidos moradores daquela aldeola, que tinham medo de comer do banquete que Babette lhes preparara. Achavam que ela era uma bruxa e que o banquete era um ritual de feitiçaria. No que eles estavam certos. Que era feitiçaria, era mesmo. Só que não do tipo que eles imaginavam. Achavam que Babette iria por suas almas a perder. Não iriam para o céu. De fato, a feitiçaria aconteceu: sopa de tartaruga, cailles au sarcophage, vinhos maravilhosos, o prazer amaciando os sentimentos e pensamentos, as durezas e rugas do corpo sendo alisadas pelo paladar, as máscaras caindo, os rostos endurecidos ficando bonitos pelo riso, in vino veritas… Está tudo no filme A Festa de Babette. Terminado o banquete, já na rua, eles se dão as mãos numa grande roda e cantam como crianças… Perceberam, de repente, que o céu não se encontra depois que se morre. Ele acontece em raros momentos de magia e encantamento, quando a máscara-armadura que cobre o nosso rosto cai e nos tornamos crianças de novo. Bom seria se a magia da Festa de Babette pudesse ser repetida..”  (Rubem Alves)

Dito isso vamos aos fatos…

Fomos recepcionadas em seu apartamento, muito bem montado, e com todos os detalhes de carinho dos bons anfitriões, que possuem o cuidado de adquirir produtos como estes, trazidos de várias partes do mundo.

Stella Faria foi a madrinha do evento, acessorou Dilú na leitura de apresentação dos pratos que se descortinavam para esse grupo, que achava que já tinha visto de tudo!

 

Mas, nós  jamais havíamos vivenciado esta mágica mistura de talento e generosidade proporcionada pela alquimista Dilú.

O roteiro começava com:

“Ellas em minha mesa. Com uma voltinha por algumas modernas mesas do mundo… Sejam Bem vindas!”

Tivemos o privilégio de um pouco de cultura sobre o marron glacê, que transcrevemos aqui para vocês:

Pratos super elaborados, servidos em diferentes e charmosos recipientes foram sendo materializados à nossa frente, temperos bem escolhidos de vários cantos do mundo.

Essa experiência única ainda não haviamos presenciado, e olha que nestes 16 anos de convivência continua, novas receitas, lugares, viagens, livros foram sendo desvendados um a um.

Nada, nada foi tão bárbaro como esta tarde.

Ela numa delicadeza especial, fez um banquete que passeou pelo mundo.

Este presente não sairá de  nossas cabeças. Esta tarde maravilhosa será guardada do lado esquerdo do coração e dentro do pensamento.

Para sempre.

Ficará também guardado o dry martini, o caviar de quiabo, violet curry, marron glacé, o picolé de pequi, a bisque de lagosta, o bombom e o sorvete de fois gras , e outras tantas gostosuras…

Sabemos que a magia da Festa de Babette se repetiu! E o melhor, estávamos lá…

Dilu, você conhece os segredos de produzir alegria pela comida, e recebeu algumas de nós para esta degustação memorável.

As amigas que foram lamentaram a ausência das que não puderam, por motivos  variados, comparecer.

Do Japão até a Índia, dos Estados Unidos até a França, numa viagem inebriante.

Tudo perfeito, na medida certa, com os sabores brincando em nossas bocas, como crianças num jardim de infância!

Cada prato teve um porquê, ela pensou em tudo, sabor, formato, quantidade. Sabe como ninguém mexer  com tudo que temos arquivado na memória do paladar.

Deliciem-se com a nossa viagem ao redor do mundo mostrada abaixo.

1.Boas vindas

a-Lâminas de polvilho

b – Martini ao Aroma de Lavanda, Misto Quente com trufas

2. Tailândia-

Bisque de Lagosta, Espuma de Coco com Violet Curry3. Japão

 Sunomomo de Lichia, Salmão com Gergelim e Tamarindo (defumado no Earl Grey e anis)

4. Índia

Gosh Kabab: Lombo de Cordeiro picado na faca com Pistache e especiarias, Espumas – Curry de Manga e Moranga com Chia

5. Portugal

Consomé de leitão ao Porto , Crocante de Quinua Rouge, Puré processado no Therminox, Cebola confit, Batata imitação de les cocottes com chapignon

  6. Rússia

Blinis – Tartar de Salmão, Sorvete de Caviar, com Caviar na cobertura

7. Espanha

Gema a 60 graus e Morilles

8. França e USA

Crème Brulée de Foie Gras e Sorvete de Foie Gras, Bombom de Foie Gras com “Kappa”de vinho do Porto com pignole, Cheeseburger explosivo de Foie

9. Brasil

Blinis e Carne de sol com Marshmallow Brulée, Caviar de quiabo, Picolé de pequi

10. Continuando no Brasil

Camarão Empanado em Aviú

Chutney de Banana, Tucupi com Jambu e Tapioca

11. Sorbet de Lichia

12- Itália

Risotto al Ragú d’anitra al Ruibarbo, Lentilha Beluga, Marron glacé, Flor de Beterraba

13. Sobremesa

Semifredo de Cupuaçu com Licor e poeira de chocolate Lindt, Banana em coulis de Caramel au Beurre Salé com especiarias

14. Madeleine, financier, Biscoitinho, Empadinha d’epice, Perfume Indiano

Os personagens do filme A festa de Babette tinham medo de sucumbir aos prazeres do palato, como se fossem eles impuros, demoníacos até.

As convidadas de Dilú atenderam o seu convite “de peito aberto”, desarmadas, curiosas e felizes.

Na Festa de Babette “a magia” teve efeito pacificado, os rostos endurecidos ganharam humanidade.

Na Festa de Dilú celebrou-se a amizade e o prazer de estarmos juntas à mesa mais uma vez, como se a anfitriã fosse, há muito, uma delas….

“No mundo todo ecoa um longo grito do coração do artista: Permitam que eu faça o meu máximo!”, disse Babette.

Dilu fez o máximo,nos surpreendeu,emocionou e encantou!

Os convidados de Babette nunca mais foram os mesmos.

As convidadas de Dilú também se lembrarão para sempre desta tarde celestial.

Tivemos como grand finale uma surpresinha para levar para casa e compartilhar com quem a gente ama.

A surpresa era:

15. Coulis de Caramel au Beurre Salé com especiarias, que ficará na memória gustativa para sempre.

Obrigada, Dilú! A nossa gratidão por este momento inesquecível.