Nossa turma de culinária encontrou Felipe Bronze há muitos anos no Rio, quando fazíamos uma pesquisa para um festival do Humberto, ele era um jovem chef que trabalhava no Zuca e tinha acabado de receber o título de chef revelação pela Vejinha Rio. Sheila Fagundes havia falado muito bem dele.

O chef veio à nossa mesa, e foi muito gentil, falante, contou seus projetos, e vimos ali um promissor profissional. Anos se passaram e Felipe, agora está a frente do Oro. Inspirados na gastronomia brasileira, seus produtos, sabores e diversidade, Felipe quer oferecer diversão, emoção e surpresa com serviço de excelência. Faz um percurso pelo Brasil, passando pela Amazônia brasileira, cerrado, caatinga, rios de água doce e todas as fontes de riqueza gastronômica de nosso país. Essa viagem pode ser feita através dos menus-degustação, compostos de cinco, sete e nove cursos ou da “Mesa do Chef” (16 cursos), onde pode-se experimentar toda a cozinha de Felipe Bronze.


Receitas com truques de mágica caracterizam a culinária molecular, ou tecnoemocional, notabilizada por estrelas como o catalão Ferran Adrià. Esferificações, congelamento instantâneo com nitrogênio, espumas e afins foram adotados nos quatro cantos, sem parcimônia.

Na nova casa de Felipe Bronze, também eleito o chef do ano, as sugestões seguem a escola. Têm a beleza de delicadas esculturas, ostentam efeitos especiais e, o mais importante (ao contrário de muitos imitadores espalhados pelo mundo), são extremamente saborosas. 


O cardápio divide o espetáculo em quatro momentos: snacks, no lugar do couvert, primeiro ato, segundo ato e terceiro ato, que é a sobremesa. Uma atração emblemática do primeiro ato é a caprese quente-fria (R$ 39,00). Releitura da tradicional salada italiana, chega com uma cúpula de tomate liofilizado (submetido a um processo de secagem), decorada com uma pincelada de molho pesto.
Já à mesa, o garçom derrama molho quente de tomate, derrete o invólucro e revela o interior de burrata. Deliciosa! Ainda mais surpreendente é a feijoada desconstruída (R$ 59,00): no mesmo prato, pequenas porções de creme de feijão com arroz frito, porquinho de leite assado a baixa temperatura, linguiça, carne-seca desfiada, couve crocante, farofa, laranja kinkan e torresmo caramelado.


Somam-se às saborosas receitas o ambiente elegante, onde sobressai a cozinha aparente protegida por vidraça sob luz rosa, e o serviço eficiente. A opção pelo menu fechado (R$ 155,00, cinco etapas) pode contar com a harmonização de vinhos proposta por Cecilia Aldaz (por mais R$ 95,00), lembrada com dois votos na disputa do melhor sommelier. Algumas pessoas acham que as roupas dos garçons é um pouco estranha e quente para o lugar. E também, ainda é daqueles  lugares que pode-se ter uma surpresa e ser um dia ruim, mas, vale a visita.

Quando você for ao Rio, visite e nos conte o que achou!

Oro
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