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por Lalá Coscarelli

Quem entra nesta casa, entra na sua casa”, este era o sentimento que movia os empreendedores Graça , Evaristo e Pedro Cardoso, ao abrir as portas do Solar dos Presuntos, restaurante situado no centro de Lisboa, em 31 de outubro de 1974.

Segundo eles, em todos esses anos, mais do que servir clientes recebem amigos, porque acreditam que comer é um ato de afeto e servir uma prova de amizade. Assim, cada cliente é servido com dedicação, esmero e o calor de quem recebe um amigo.

São mais de três décadas dedicadas à recuperação das mais antigas tradições gastronômicas portuguesas de inspiração minhota. Não é, portanto, por acaso que têm merecido o reconhecimento dos melhores especialistas portugueses e estrangeiros.

Dentro do espírito da casa, fomos calorosamente recebidas por Fernando que demonstrou enorme prazer em servir aquelas quatro senhoras brasileiras.

O tempo estava ótimo e, à hora do almoço pedimos logo uma cervejinha que Fernando trouxe acompanhada de cesta de pão e do maravilhoso queijo do Azeitão. Quem tiver oportunidade, não deixe de experimentar essa iguaria.

Surpresa também ficou por conta do presunto fatiado 5 Jotas (tipo pata negra), segundo Fernando, melhor que o espanhol. Bairrismo? Não sabemos, pois realmente estava muito bom.

Fizemos os nossos pedidos: cabrito assado e açorda de lagosta e camarão e avisamos ao Fernando que estávamos ali também para fazer um texto pro nosso blog. Fernando voltou com Agostinho, o enólogo da casa, que mudou nossos pedidos e trocou também o vinho – Pombal do Vesúvio (que achamos muito leve) pelo Poeira, ambos da região do Douro.

Ele propôs três pratos: Primeiro veio um bacalhau com cebola, azeitona verde e batatas pequenas com casca. Divino!!! Ponto para o azeite notadamente doce que conferiu um sabor à altura do bacalhau da melhor qualidade.

O segundo prato foi uma açorda de lavagante. A açorda é um prato típico português muito saboroso, porém, de aparência estranha. É feita da seguinte maneira: coloca-se pão dormido de molho em azeite e alho na geladeira, de um dia para o outro. No dia seguinte, leva-se (como eles dizem) o tacho ao fogo, coloca-se o pão e juntam-se ovas de lavagante, caldo de peixe, pedaços de lavagante azeite e tempera-se com sal.

O tacho vem para a mesa com dois ovos crus estalados em cima. À vista do cliente, a açorda é devidamente misturada e é servida acompanhada de filet de peixe-galo empanado.Perguntamos a diferença entre lagosta e lavagante. Fernando e Agostinho não tiveram dúvidas: foram até o aquário e trouxeram os dois crustáceos vivos para nossa comparação.

Para finalizar, foi-nos servido um cabrito assado e, acompanhando, grelos de couve e arroz de açafrão. Durante todo o almoço o que não faltou à mesa foi um vidro de Viagra – azeite com pimenta.

A tarde não poderia terminar sem uma degustação de doces portugueses. Fernando preparou um prato com pequenas porções de: arroz doce, doce de ovos, pão de ló com doce de ovos, folhado de chocolate e Tiramisu da Vó.

 

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