Convido a quem me lê, a um exercício de imaginação, tendo Paris como palco. Tente imaginar as cenas a seguir:

  1. Cinco amigas jantam em um belo restaurante na cidade luz.
  2. Na mesa vizinha as pessoas falam em alemão.
  3. De repente, as amigas ouvem a mulher ao lado dizer: Belo Horizonte.
  4. Elas exclamam em conjunto: Ué… ela é mineira!
  5. Inicia uma conversa “en passant” entre as amigas e o casal formado por uma mineira com um simpaticíssimo suíço.
  6. Ao final do jantar, despedem-se e cada um toma seu rumo.
  7. No dia seguinte, estão as amigas em outro restaurante e… com quem se encontram?
  8. Não… não encontram… Elas se deparam com o casal mineira/suíço!

Como pode acontecer uma coincidência desta em uma cidade com tantos restaurantes como Paris? Mas Paris é Paris, e além de oferecer tudo que jamais outra cidade no mundo pode proporcionar, ainda foi palco de um feliz encontro,  inusitado, diga-se de passagem. Coincidência, acaso, destino? Não importa! O que importa que nasce assim uma grata amizade.

Coincidência, acaso, destino? Não importa! O que importa que nasce assim uma grata amizade.

Agora, atravessem o oceano. Gostaria novamente de convidar quem me lê, não a um exercício de imaginação, e sim, a seguir um sonho.

Foi o que Maria Eugenia, uma dessas cinco amigas fez. Com um soberbo chá, homenageou o casal, brindou à França e proporcionou-nos viver esse sonho:

Um dia de rainha!

Duas semanas antes:

Um dia antes:

Enfim,

UM DIA DE RAINHA

 Sempre falo para a Louise, minha filha de 18 anos:

Quando vc convida, deve proporcionar ao seu convidado o que vc tem de melhor, pois isso faz com que ele se sinta importante.

Me lembrei dessas palavras, pois não estou me sentindo só importante, estou me sentindo uma rainha!

E ainda para completar, tive sutis revelações… Revelações essas que não são ensinadas em nenhuma escola, pois fazem parte da essência de umas raras pessoas. Refiro-me a Maria Eugenia, figura cativa, cujo coração, amoroso e sábio, faz parte desse seleto e distinto grupo.

Com irrestrita elegância, Maria Eugenia nos revelou,  em seu Four O’clock tea  que para receber bem, é necessário oferecer conforto, e isso não quer dizer tão somente um sofá aconchegante ou uma cadeira macia. Ela mostrou que o  conforto mora mesmo é no aconchego do ambiente, na atmosfera, no astral…

Com/em estado de graça, Maria Eugenia nos revelou sem dizer uma só palavra, a amplitude do cuidado e carinho que se deve ter quando acolhemos pessoas queridas. Aquele mais atento poderia notar um anjo pairando acima de todas as coisas…

Com doce sensibilidade, Maria Eugenia nos revelou bocadinhos de sua historia com toda a altivez dos que tem muito orgulho do seu caminhar, orgulho de sua essência, orgulho de sua existência…

Com pura poesia, Maria Eugenia nos revelou a sedução brindando os sentidos dos seduzidos com um cenário! Havia um jardim a ser contemplado em cada cantinho, perfumando a tarde com os aromas suaves de flores arranjadas por ela mesma, com mãos de fada…

Com acanhada candura, Maria Eugenia nos revelou e nos permitiu ganhar o mesmo olhar de todos da família: doce, meigo e zeloso…

Com modesta bondade, Maria Eugenia nos revelou o quanto engrandece ser afetuoso com pessoas, sentimentos e rituais… Nos revelou a generosidade!

Com um lindo sentimento de comunhão, Maria Eugenia nos revelou que os que se apreciam comungam de uma emoção única… quem comunga com os amigos, ama, agrada, acrescenta, une festivamente…

Com imensa gentileza, Maria Eugenia nos revelou que merecíamos todos sentir um bel-prazer intenso, com a mesma intensidade que ela, ao nos proporcionar todo aquele deleite…

Com memorável maestria, Maria Eugenia nos revelou que “Entreter um convidado é encarregar-se de sua felicidade durante o tempo todo em que estiver sob nosso teto”.*

Com admirável desenvoltura, Maria Eugenia nos revelou que “O Criador, ao obrigar o homem a comer para viver, o incita pelo apetite, e o recompensa pelo prazer”. *

 

(Aqui teve um escondidinho delicioso de camarão e frango. Mas infelizmente tenho de dizer que a gulodice me impediu de lembrar de fotografar. Pode?)

Com misteriosa naturalidade, Maria Eugenia nos revelou – para coroar esse chá digno de uma rainha – que “A mesa é o único lugar onde jamais se sente tédio”.*

Tenho certeza que, se Brillat-Savarin tivesse tido a oportunidade de participar da mesa de Maria Eugênia, ele diria:

Repito que a mesa é o único lugar onde jamais se sente tédio, e hoje completo que… ainda mais na mesa de Maria Eugênia…

* Três dos vinte euforismos de Jean-Anthelme Brillat-Savarin.